segunda-feira, 24 de maio de 2010

TAPETE FEITO COM SERRAGEM, MAIS UMA ATIDUDE DE FÉ E TRABALHO EM MOGI DAS CRUZES















Embora muitos, incluindo-se grandes dicionários, insistam na afirmação de que a quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas ao Domingo da Páscoa, ela termina mesmo no domingo, chamado "de Ramos" que, neste ano é o dia vinte e três de maio. Sabendo-se que quaresma significa quarenta, exatamente o número de dias do período em questão que, por sua vez, simboliza tempo igual durante o qual, segundo os evangelhos, Jesus permaneceu no deserto a fazer penitência, não entendo o porquê da confusão. Do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa é outro período distinto: Semana Santa, Semana Maior ou Semana da Paixão

Quando se fala em Semana Santa, Ouro Preto é destaque no cenário nacional com a realização dos ritos próprios da ocasião, sem se afastar muito de antigas tradições não integrantes da liturgia oficial, mas que enriquecem sobremaneira as celebrações da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Na cidade em que se respira arte, esta não poderia ser esquecida nos muitos momentos de reflexão que as celebrações inspiram. E a vitória da vida sobre a morte, ou seja, a Ressurreição de Jesus, lembrada na manhã do Domingo de Páscoa com a procissão do Santíssimo, inspirou, em Ouro Preto, a criação de tapetes multicoloridos por onde transita o sacro cortejo. Resgatada há exatos quarenta e um anos, a tradição remonta às festas de inauguração da igreja-matriz de Nossa Senhora do Pilar, ou, mais precisamente, ao célebre Triunfo Eucarístico realizado em maio de 1733. Seu trajeto, da igreja do Rosário à matriz do Pilar, foi marcado com a confecção de tapete especialmente confeccionado com flores, papel picado e outros materiais. Dali em diante, por ocasião das procissões do Santíssimo, na Ressurreição e no Corpus Christi, o tapete se tornou em característica constante, até que foi proclamada a República e como conseqüência houve a separação entre Igreja e Estado. Aos poucos, a tradição se quebrou, ficando tão somente a boa vontade dos fiéis que ornamentavam com flores espalhadas à frente suas casas.

O retorno à antiga tradição só aconteceu em 8 de julho de 1963, quando então se realizou a grande festa da Coroação Pontifícia da imagem de Nossa Senhora do Pilar. Para sua confecção, mobilizou-se toda a cidade que, praticamente, não dormiu na noite anterior, ocupando-se a população com mil e uma tarefas para que tudo saísse conforme o idealizado. Lado a lado, nas ruas centrais por onde passaria a procissão triunfal, pessoas de diferentes posições sociais e de todas as profissões, prefeitura municipal, empresas e empresários, trabalharam na medição, limpeza das ruas e montagem do tapete com o apoio dos que transportavam materiais, faziam a comunicação entre as equipes, forneciam lanches quentes (o frio era intenso) e até dos que proporcionavam entretenimento, como o grupo de seresta que percorria as ruas. Ao amanhecer do dia oito de julho daquele ano, o tapete, feito com serragem, palha de arroz, borra de café, flores, papel picado e outros materiais, estava pronto e assim resgatada a tradição que se firmou e se preserva até hoje. A volta do tapete foi idealizada, portanto, por um grupo de pessoas da comunidade paroquial com o apoio espontâneo de toda a população, então voltada para a realização de tão importante evento religioso.

A instituição oficial, que diz ter resgatado a tradição do tapete de serragem, ainda nem existia e, quando foi criada, a comunidade ouropretana já havia aprimorado a técnica aplicada em 1963. Se o "filho" fosse feio, outro pai não apareceria!

E em Mogi das Cruzes, não podia ser diferente toda a população envolvida para fazer os tapetes que cada ano que passa ficam ainda mais lindos!

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